Time de Guerreiro.

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Perfeita!

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

ORIGEM DA EXPRESSÃO "O QUINTO DOS INFERNOS"

"QUINTO DOS INFERNOS"
Durante o século 18
o Brasil Colônia pagava um alto tributo para seu colonizador, Portugal. Esse tributo incidia sobre tudo o que fosse produzido em nosso país e correspondia a 20% (ou seja, 1/5) da produção. Essa taxação altíssima e absurda era chamada de "O Quinto".
Esse imposto recaía principalmente sobre a nossa produção de ouro. O "Quinto" era tão odiado pelos brasileiros, que foi apelidado de "O Quinto dos Infernos". A Coroa Portuguesa quis, em determinado momento, cobrar os "quintos atrasados" de uma única vez, no episódio conhecido como "Derrama".
Isso revoltou a população, gerando o incidente chamado de "Inconfidência Mineira", que teve seu ponto culminante na prisão e julgamento de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário - IBPT, a carga tributária brasileira deverá chegar ao final deste ano de 2009 a 38% ou praticamente 2/5 (dois quintos) de nossa produção. Ou seja, a carga tributária que nos aflige é praticamente o dobro daquela exigida por Portugal à época da Inconfidência Mineira, o que significa que pagamos hoje literalmente "dois quintos dos infernos" de impostos...
Para que???...Para sustentar a corrupção, campanhas eleitorais, o PAC, o mensalão, o Senado e sua legião de "diretores", a festa das passagens, os cartões corporativos, as bacanais (literalmente) com o dinheiro público, as comissões e jetons, a farra familiar no executivo, os salários de marajás, etc...etc...etc...
Nosso dinheiro é confiscado no dobro do valor do "quinto dos infernos" para sustentar esta corja, que nos custa (já feitas as atualizações) o dobro do que custava toda a Corte Portuguesa.
E pensar que Tiradentes foi enforcado porque se insurgiu contra a metade dos impostos que pagamos atualmente!!!...

FHC é o grande padrinho de Lula

Leio análises falando que um dos pontos vulneráveis de José Serra --e teria aparecido na mais recente pesquisa mostrando a subida de Dilma Roussef-- é Fernando Henrique Cardoso, com alta taxa de rejeição. Por isso, o ex-presidente seria escondido na campanha. A verdade é que, por outros motivos, FHC é o grande padrinho de Lula --qualquer pessoa com um mínimo de equilíbrio terá de concordar com isso.

Em essência, o governo Lula é a continuidade da gestão anterior --e aí está um dos pontos mais inteligentes do presidente. Ele pegou a inflação baixa, um país na rota do crescimento, as bases de seu mais importante programa social em andamento (o Bolsa Família). As finanças públicas tinham passado por medidas importantes como a lei de responsabilidade fiscal.

Lula soube aprimorar o que recebeu. Radicalizou a política social, manteve as bases econômicas. Para completar, além da sorte com a descoberta do pré-sal, passou por uma época de crescimento mundial --com exceção dos últimos 12 meses. Não herdasse o que herdou, teria muito menos condições de angariar um prestígio tão grande.

É tolice não reconhecer a habilidade de Lula e seu extraordinário pragmatismo. Mas é tolo não reconhecer que FHC é seu grande padrinho, cuja alta taxa rejeição faz parte daquelas injustiças --mas será reparada pela história.

*
Ninguém no PSDB, a começar por José Serra, consegue nem remotamente ter a postura de estadista de FHC.
Gilberto Dimenstein, 52, é membro do Conselho Editorial da Folha e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz. Coordena o site de jornalismo comunitário da Folha. Escreve para a Folha Online às segundas-feiras

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Sob nova direção

Os donos da economia mundial penduraram hoje na porta de entrada (que nem existe) a placa: sob nova direção.
Pois é. O tal de G20, formado pelas 21 maiores economias do planeta e mais a União Europeia, assume formalmente o papel de coordenador da economia mundial, substituindo o G8, o clube dos sete países ricos a que a Rússia foi agregada.
Muito bem. É a chamada "realpolitik": a realidade havia de há muito atropelado o G8 e o sentido comum mais raso já pedia uma nova gerência. Uma nova gerência, a rigor, já delineada com toda a clareza na reunião do G8 ampliado de L'Aquila, na Itália, em julho.
Decretar retoricamente uma nova gerência era, portanto, a parte fácil. Agora vem o mais difícil que é, como adoram dizer os norte-americanos, "deliver" --entregar resultados.
O G20 não tem dentes. Ou seja, não tem poder para impor suas eventuais decisões a seus próprios integrantes, quanto mais para os demais países.
Exemplo objetivo e imediato: a tarefa que o grupo tem pela frente é discutir e encontrar saídas para os desequilíbrios que já existiam na economia global antes da eclosão da crise. Desequilíbrio que, para resumir, se dava pelo consumo excessivo dos Estados Unidos e pela voracidade exportadora da China, embora não apenas dela.
Seria uma questão acadêmica, não fosse pelo detalhe de que o presidente Barack Obama já avisou uma e outra vez, desde o G8 ampliado de L'Aquila, que o mundo não deve contar com o consumidor norte-americano como motor do crescimento econômico, pelas avarias por ele sofrido com a crise.
Reequilibrar o jogo passa, portanto, a ser uma necessidade, não uma mera preocupação acadêmica.
A pergunta seguinte inevitável é esta: como é que o G20 poderá obrigar, digamos, a China a valorizar a sua moeda, para dificultar exportações e facilitar importações?
Mas sobram também perguntas para o Brasil: até agora, o país foi demandante. Pediu coisas, inclusive a entronização do G20, e obteve várias delas (uma melhoria no peso dos emergentes no FMI, por exemplo).
Com isso, passou a ser um cachorro grande --ou quase. Cachorros grandes, no jogo global, não tem apenas bônus. Têm, por exemplo, o ônus de deixar de fazer apenas pleitos para propor soluções, mesmo aquelas que eventualmente representem sacrifícios.
Ah, é bom dizer que esse novo papel não é apenas tarefa do governo. É da sociedade ou, ao menos, da sociedade organizada, empresários, sindicalistas, dirigentes políticos, da academia, do jornalismo. Mais do que antes, urge agora deixar de ser "caipira" como o então presidente Fernando Henrique Cardoso definiu o país --e tinha razão.
Clóvis Rossi é repórter especial e membro do Conselho Editorial da Folha, ganhador dos prêmios Maria Moors Cabot (EUA) e da Fundación por un Nuevo Periodismo Iberoamericano. Assina coluna diária na página 2 da Folha e é autor, entre outras obras, de "Enviado Especial: 25 Anos ao Redor do Mundo e "O Que é Jornalismo".E-mail: crossi@uol.com.br

http://folhasp.com.br/

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

A doença da ignorância

É a maior amostragem disponível da saúde de estudantes de escolas públicas. Entre fevereiro e julho deste ano, foram examinadas 119 mil crianças por equipes de pediatria e saúde bucal. O resultado revela a doença da ignorância e certeza de que será impossível um bom nível educacional com tantas crianças com problemas de saúde o detalhamento está no www.dimenstein.com.br.
Note-se que estamos aqui falando apenas da cidade de São Paulo. Daí se tira o que ocorre no resto do Brasil. Os dados fazem parte do programa "Aprendendo com a Saúde" que faz exames nas escolas públicas. Cerca de 35% dos examinados mostraram alto risco de cárie. Imagine se alguém presta atenção em aula com dor de dente.
Mais de 50% tiveram de ser encaminhados para tratar problemas de visão, audição, fala sobrepeso, desnutrição, anemia, além de distúrbios psicológicos.
Não precisa ser um gênio para ver que, com tantos problemas, é difícil aprender, criando-se uma bola de neve. Em pouco tempo, os alunos já estarão com sua autoestima abalada, com notas ruins, muitas repetirão e sairão da escola.
A doença da ignorância é ainda mais grave porque o tema é desconhecido da maioria da população e existem poucos programas. Aliás, quase não é assunto dos especialistas em educação.

Gilberto Dimenstein, 52, é membro do Conselho Editorial da Folha e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz. Coordena o site de jornalismo comunitário da Folha. Escreve para a Folha Online às segundas-feiras.
Menos filhos, menos violência

A informação mais importante da pesquisa do IBGE que acaba de ser divulgada é a redução brusca do número de filhos das mulheres com baixa escolaridade. Se na década de 1970, mulheres com menos de três anos de escolaridade tinham em média 7 filhos, agora passou 3 --e continua caindo. É uma boa notícia para quem está preocupado com a violência urbana.
Há uma série de causas para a violência --e uma delas é a desestruturação familiar. Ou seja, a dificuldade ou até total incapacidade dos pais cuidarem de seus filhos, gerando um ciclo de marginalidade. A combinação de menos filhos por família com aumento da oferta de serviços públicos, especialmente educação (e desde a creche e pré-escola), é uma receita óbvia para termos sociedades mais integradas e, portanto, menos violentas. Até porque significam família com mais estudo e renda.
Essa tendência ainda pode ser acelerada com programas de prevenção da gravidez em comunidades mais pobres como as favelas, onde, segundo estimativas, a média está acima dos três filhos por mulher.

Gilberto Dimenstein, 52, é membro do Conselho Editorial da Folha de São Paulo e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz. Coordena o site de jornalismo comunitário da Folha. Escreve para a Folha Online às segundas-feiras.

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