Time de Guerreiro.

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Perfeita!

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Sob nova direção

Os donos da economia mundial penduraram hoje na porta de entrada (que nem existe) a placa: sob nova direção.
Pois é. O tal de G20, formado pelas 21 maiores economias do planeta e mais a União Europeia, assume formalmente o papel de coordenador da economia mundial, substituindo o G8, o clube dos sete países ricos a que a Rússia foi agregada.
Muito bem. É a chamada "realpolitik": a realidade havia de há muito atropelado o G8 e o sentido comum mais raso já pedia uma nova gerência. Uma nova gerência, a rigor, já delineada com toda a clareza na reunião do G8 ampliado de L'Aquila, na Itália, em julho.
Decretar retoricamente uma nova gerência era, portanto, a parte fácil. Agora vem o mais difícil que é, como adoram dizer os norte-americanos, "deliver" --entregar resultados.
O G20 não tem dentes. Ou seja, não tem poder para impor suas eventuais decisões a seus próprios integrantes, quanto mais para os demais países.
Exemplo objetivo e imediato: a tarefa que o grupo tem pela frente é discutir e encontrar saídas para os desequilíbrios que já existiam na economia global antes da eclosão da crise. Desequilíbrio que, para resumir, se dava pelo consumo excessivo dos Estados Unidos e pela voracidade exportadora da China, embora não apenas dela.
Seria uma questão acadêmica, não fosse pelo detalhe de que o presidente Barack Obama já avisou uma e outra vez, desde o G8 ampliado de L'Aquila, que o mundo não deve contar com o consumidor norte-americano como motor do crescimento econômico, pelas avarias por ele sofrido com a crise.
Reequilibrar o jogo passa, portanto, a ser uma necessidade, não uma mera preocupação acadêmica.
A pergunta seguinte inevitável é esta: como é que o G20 poderá obrigar, digamos, a China a valorizar a sua moeda, para dificultar exportações e facilitar importações?
Mas sobram também perguntas para o Brasil: até agora, o país foi demandante. Pediu coisas, inclusive a entronização do G20, e obteve várias delas (uma melhoria no peso dos emergentes no FMI, por exemplo).
Com isso, passou a ser um cachorro grande --ou quase. Cachorros grandes, no jogo global, não tem apenas bônus. Têm, por exemplo, o ônus de deixar de fazer apenas pleitos para propor soluções, mesmo aquelas que eventualmente representem sacrifícios.
Ah, é bom dizer que esse novo papel não é apenas tarefa do governo. É da sociedade ou, ao menos, da sociedade organizada, empresários, sindicalistas, dirigentes políticos, da academia, do jornalismo. Mais do que antes, urge agora deixar de ser "caipira" como o então presidente Fernando Henrique Cardoso definiu o país --e tinha razão.
Clóvis Rossi é repórter especial e membro do Conselho Editorial da Folha, ganhador dos prêmios Maria Moors Cabot (EUA) e da Fundación por un Nuevo Periodismo Iberoamericano. Assina coluna diária na página 2 da Folha e é autor, entre outras obras, de "Enviado Especial: 25 Anos ao Redor do Mundo e "O Que é Jornalismo".E-mail: crossi@uol.com.br

http://folhasp.com.br/

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

A doença da ignorância

É a maior amostragem disponível da saúde de estudantes de escolas públicas. Entre fevereiro e julho deste ano, foram examinadas 119 mil crianças por equipes de pediatria e saúde bucal. O resultado revela a doença da ignorância e certeza de que será impossível um bom nível educacional com tantas crianças com problemas de saúde o detalhamento está no www.dimenstein.com.br.
Note-se que estamos aqui falando apenas da cidade de São Paulo. Daí se tira o que ocorre no resto do Brasil. Os dados fazem parte do programa "Aprendendo com a Saúde" que faz exames nas escolas públicas. Cerca de 35% dos examinados mostraram alto risco de cárie. Imagine se alguém presta atenção em aula com dor de dente.
Mais de 50% tiveram de ser encaminhados para tratar problemas de visão, audição, fala sobrepeso, desnutrição, anemia, além de distúrbios psicológicos.
Não precisa ser um gênio para ver que, com tantos problemas, é difícil aprender, criando-se uma bola de neve. Em pouco tempo, os alunos já estarão com sua autoestima abalada, com notas ruins, muitas repetirão e sairão da escola.
A doença da ignorância é ainda mais grave porque o tema é desconhecido da maioria da população e existem poucos programas. Aliás, quase não é assunto dos especialistas em educação.

Gilberto Dimenstein, 52, é membro do Conselho Editorial da Folha e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz. Coordena o site de jornalismo comunitário da Folha. Escreve para a Folha Online às segundas-feiras.
Menos filhos, menos violência

A informação mais importante da pesquisa do IBGE que acaba de ser divulgada é a redução brusca do número de filhos das mulheres com baixa escolaridade. Se na década de 1970, mulheres com menos de três anos de escolaridade tinham em média 7 filhos, agora passou 3 --e continua caindo. É uma boa notícia para quem está preocupado com a violência urbana.
Há uma série de causas para a violência --e uma delas é a desestruturação familiar. Ou seja, a dificuldade ou até total incapacidade dos pais cuidarem de seus filhos, gerando um ciclo de marginalidade. A combinação de menos filhos por família com aumento da oferta de serviços públicos, especialmente educação (e desde a creche e pré-escola), é uma receita óbvia para termos sociedades mais integradas e, portanto, menos violentas. Até porque significam família com mais estudo e renda.
Essa tendência ainda pode ser acelerada com programas de prevenção da gravidez em comunidades mais pobres como as favelas, onde, segundo estimativas, a média está acima dos três filhos por mulher.

Gilberto Dimenstein, 52, é membro do Conselho Editorial da Folha de São Paulo e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz. Coordena o site de jornalismo comunitário da Folha. Escreve para a Folha Online às segundas-feiras.

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